Programa Nuclear Brasileiro é um retrocesso.#Questione!

3 out

Uma energia cara e perigosa

A geração de energia a partir de combustível nuclear representa um grande perigo para as pessoas e o ambiente. Ela demanda maior investimento público e gera mais poluentes quando comparada às energias renováveis. Ressuscitar o Programa Nuclear Brasileiro é um retrocesso.

Annya Pesenko é vítima do acidente na usina nuclear de Chernobyl. Ela
cresceu num vila contaminada pela radiação. © Greenpeace / Robert Knoth

Produzir energia nuclear continua sendo um problema. Anualmente,
diversos acidentes são registrados ao redor do mundo. Desde a extração,
até o transporte e descarte do material radioativo, a população está
exposta aos riscos de doenças fatais.

Investir em tecnologia nuclear para a geração de energia é perigoso, piora o cenário de aquecimento global e joga na privada o dinheiro dos contribuintes.

Risco à vida

O processo de geração de energia nuclear possui várias etapas. O
minério radioativo passa por uma série de transformações em sete
cidades, de três países, até se transformar em combustível para a usina
nuclear. Depois de utilizado, transforma-se em lixo radioativo. Em todas
essas etapas, há a possibilidade de ocorrer um acidente, contaminando
água, solo, ar, além de pessoas e animais, e ainda não foi encontrado um
destino seguro e permanente para esse lixo.

A exposição ao material radioativo pode gerar nos seres humanos o
desenvolvimento de câncer, má formação fetal, aborto, falência do
sistema nervoso central, síndrome gastrointestinal, entre outras
doenças. As instituições responsáveis pelo programa nuclear brasileiro
não tomam medidas eficazes de prevenção da contaminação, colocando
milhares de vidas em risco.

Um mundo mais quente

Ativistas do Greenpeace em balsa flutuante com quatro turbinas
eólicas simbólicas em frente às usinas nucleares de Angra dos Reis (RJ,)
para protestar contra os investimentos do governo brasileiro na
construção de Angra 3. © Greenpeace / Alex Carvalho

Há uma idéia corrente de que a geração de energia nuclear é livre de
emissões de gases de efeito estufa. Não é bem assim. Os reatores não
emitem gás carbônico diretamente, mas, no cálculo de toda a cadeia de
produção – da construção da usina, extração do minério ao descarte do
lixo radioativo – as emissões vão às alturas.

A relação entre emissões totais e energia gerada faz da energia
nuclear uma opção mais poluidora do que energias renováveis. De acordo
com a metodologia de Storm e Smith para o cálculo de emissões, o ciclo
de geração por fontes nucleares emite de 150 a 400 gCO2/kWh, enquanto o
ciclo por geradores eólicos emite de 10 a 50 gCO2/kWh.

Dinheiro mal investido

Estudo de 2006 da Universidade de São Paulo (USP) revela que serão
necessários R$9,5 bilhões e mais seis anos para a finalização de Angra
3. Com um investimento menor, de R$7,2 bilhões, seria possível construir
um parque eólico com o dobro da capacidade de Angra 3, ou seja, 2.700
MW, em dois anos – sem produzir lixo radioativo, sem o perigo de
contaminação e com as emissões de gases estufa quase zeradas.

Soluções

– Fim da expansão do programa nuclear brasileiro;

– Suspensão da exploração de minério radioativo;

– Não construção da usina nuclear Angra 3;

– Reestruturação do setor nuclear brasileiro para o uso seguro da energia nuclear com fins medicinais;

– Investimento em geração de energias renováveis.

Fonte:  Greenpeace

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