Bactéria da peste negra quase não mudou em mais de 600 anos.

14 out

Estudo sequenciou código genético da bactéria por completo e constatou que ela é
quase idêntica à bactéria dos dias de hoje.

iG Brasil | 12/10/2011 16:26

 

Cientistas sequenciaram o código genético da peste negra e descobriram que a
bactéria Yersinia pestis do século 14 é quase idêntica à versão moderna . Pouca
coisa mudou. Há apenas uma dúzia de mudanças entre os mais de 4 milhões de
blocos de construção do DNA, de acordo com um estudo publicado online na
quarta-feira da revista Nature.

O estudo mostra que a Peste Negra foi
mortal por razões além de seu DNA. Tinha a ver com as circunstâncias do mundo
naquela época. Com o avanço da ciência e da sociedade hoje é possível combater a
peste com um antibiótico. No século XIV, ela dizimou um terço da população
europeia.

Foto: Museum of London Archaeology

Pesquisadores conseguiram reconstruir o genoma da bactéria original a partir
de DNA extraído dos restos mortais de quatro vítimas da doença

De acordo com a pesquisa, dirigida pelo professor
Johannes Krause, da universidade alemã de Tübingen, Ele veio no pior momento
possível – quando o clima foi ficando mais frio, o mundo estava no meio de uma
longa guerra e da fome, e as pessoas estavam se mudando para bairros mais
próximos, onde a doença pode infectá-las e se espalhar facilmente. E foi
provavelmente a primeira vez que esta doença em particular, tinha atingido os
seres humanos, atacando pessoas sem qualquer proteção inata.

Os
pesquisadores chegaram a esta conclusão após reconstruir o genoma da bactéria
original a partir de DNA extraído dos restos de quatro vítimas da doença
enterradas no cemitério londrino de East Smithfield, construído entre 1348 e
1349 para abrigar vítimas da peste.

As análises indicariam que a devastadora praga do século XIV
pode ser a responsável pela introdução e disseminação por todo o mundo das
bactérias que ainda circulam na atualidade.
Além disso, os pesquisadores
constataram que a doença hoje em dia é influenciada por fatores ambientais e a
própria suscetibilidade do portador. Acredita-se que a Peste Negra se originou
em roedores na China e se propagou através das pulgas dos ratos. “É um exemplo
histórico fundamental de uma infecção com rápida disseminação e alta
mortandade”, já que num período de cinco anos reduziu consideravelmente a
população da Europa, assinala a revista Nature.

Os pesquisadores haviam publicado recentemente outro estudo com a o sequenciamento de pequenos
fragmentos do DNA bactéria. Nesta análise ela parecia mais diferente da bactéria
contemporânea. O estudo publicado esta semana na Nature, que contou com técnica
mais apurada e o sequenciamento completo do DNA da bactéria mostrou que elas são
muito parecidas. “Elas têm menos diferença do que mãe e filha”, disse Krause.

(Com informações da EFE e da AP)

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