Astrônomos descobrem que planeta anão Éris é gêmeo de Plutão.

26 out

Pesquisa, que contou com participação brasileira, mediu raio e ciclo de atmosfera do planeta

Alessandro Greco, especial para o iG | 26/10/2011

Foto: ESA

Conceito artístico do planeta anão Éris: fenômeno raro permitiu medição de seu raio

Pesquisadores do Observatório Europeu do Sul (ESO) conseguiram determinar o raio do planeta anão Éris e verificaram que ele é do tamanho de Plutão. A novidade é mais um pequeno golpe na já abalada reputação do ex-nono planeta do Sistema Solar, que foi rebaixado a planeta anão em 2006 pela União Astronômica Internacional (IAU) e já tinha também perdido o posto de planeta anão de maior massa para o mesmo Éris em 2007.

Além do raio estimado em 1.163 quilômetros, os pesquisadores obtiveram dados mais concretos sobre diversas características de Éris, entre elas sua suposta atmosfera.

Os cientistas descobriram também que, conforme Éris se aproxima de seu periélio (ponto de órbita mais próximo do Sol), sua atmosfera poderia se sublimar da mesma forma que ocorre com Plutão. Conforme se afasta do Sol, ela esfriaria e congelaria e conforme se aproxima sublima. Ou seja: o ciclo das atmosferas de ambos os planetas seriam semelhantes.

“Plutão ganhou um gêmeo, e vice-versa”, afirmaram ao iG André Milone, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e Marcelo Assafin, do Observatório Valongo, pesquisadores brasileiros que participaram do trabalho publicado nesta quarta-feira (26) no periódico científico Nature. E completaram:”O próximo passo da pesquisa será confirmar por observações a presença duma atmosfera, mesmo que tênue, usando telescópios maiores”.

Os resultados do trabalho confirmam ainda que tanto Éris como Plutão podem continuar a ser considerados dois dos cinco planetas-anão conhecidos (os outros três são Ceres, Haumea e Makemake). “A descoberta da esfericidade de Éris reforça a classificação recebida por ele”, explicam os pesquisadores.

Liderada pelo astrônomo Bruno Sicardy, do Observatório de Paris, a descoberta foi possível graça a um fenômeno raro que levou Éris a se posicionar em frente a uma estrela distante. A configuração tornou mais fácil a coleta dos dados pelos telescópios do ESO, considerada complicada devido à grande distância em que Éris gira em torno do Sol (cerca de três vezes maior do que Plutão).

Formado por um consórcio de 15 países, entre eles o Brasil, o ESO tem instrumentos em três localidades no deserto do Atacama no Chile. Os dados da pesquisa foram levantados antes da entrada oficial do país no ESO que ocorreu no final de dezembro de 2010.

(Com reportagem de Denise Barros)

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