Grécia anuncia que não haverá referendo sobre pacote de resgate

4 nov

Ministro grego afirma que país precisa se movimentar o mais breve possível para receber sexta parcela de ajuda

EFE | 03/11/2011 15:57

O ministro das Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, anunciou nesta quinta-feira, em nome do governo, que não será realizado um referendo sobre o resgate financeiro do país, como o primeiro-ministro, Giorgos Papandreou, havia anunciado na segunda-feira.

Foto: AFP Ampliar

Ministro grego confirmou que não haverá referendo sobre resgate proposto pela UE

“O governo anuncia de forma oficial que não haverá um referendo”, disse Venizelos em discurso para parlamentares transmitido pela rede estatal de televisão. O titular da pasta de Finanças, que tinha diferenças com Papandreou sobre a conveniência de convocar este referendo, ressaltou que “é positivo enviar uma mensagem (aos países da União Europeia) de que não será realizado um referendo”.

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O país, acrescentou o ministro, deve ter um governo estável, um sistema bancário a salvo, e se movimentar o mais breve possível com resultados claros para receber a sexta parcela do primeiro pacote de ajuda, no valor de 8 bilhões de euros.

Venizelos também afirmou que “a crítica situação exige que sejam obtidas 180 cadeiras no parlamento para aprovar o acordo de 26 de outubro”, pelo qual o Eurogrupo aprovaria um segundo plano de resgate para a Grécia com o perdão de metade de sua dívida.

Já Papandreou foi mais ambíguo, ao dizer nesta quinta que seu governo é que vai decidir se no final realizará ou não o polêmico referendo sobre o plano de ajuda internacional ao país.

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“Realizar um referendo ou não é nossa decisão. Pode ser que estejamos sob a supervisão financeira (internacional), mas as decisões são tomadas no Parlamento e no Governo”, disse Papandreou.

Pouco antes, o próprio premiê havia dito em comunicado que, devido ao apoio declarado da oposição conservadora ao segundo plano de ajuda internacional à Grécia, já não era necessário realizar a controversa consulta popular, o que não repetiu em seu discurso no Parlamento.

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No entanto, perante os deputados de seu partido, ele disse que o inesperado anúncio de referendo foi um “golpe positivo e beneficente”, referindo-se à repentina disposição da oposição conservadora do partido Nova Democracia de dialogar com o Governo sobre um apoio ao pacote de resgate. De qualquer maneira, Papandreou advertiu que antecipar as eleições, como exige a Nova Democracia, seria “uma catástrofe” para a Grécia devido aos riscos decorrentes dos problemas financeiros do Estado.

O primeiro-ministro pediu a seus parlamentares que votem a favor do Governo na moção de confiança desta sexta-feira. “Amanhã é um dia importante para o futuro do país. Devemos pôr o interesse do país acima do pessoal”, disse Papandreou, cuja maioria parlamentar se reduziu a 151 deputados – do total de 300 que compõem o Parlamento unicameral grego -, além da ameaça de vários deputados socialistas de não apoiá-lo.

“Quero ser franco com vocês. Se não cumprirmos nossas obrigações, a saída do euro é uma possibilidade”, advertiu o premiê em tom dramático. Em relação ao segundo plano de resgate, de 130 bilhões de euros, decidido na semana passada durante a cúpula de líderes da zona do euro, Papandreou elogiou o acordo, considerou-o sustentável e disse que ele abre oportunidades para a Grécia.

O chefe de Governo grego destacou ainda que a cúpula também decidiu perdoar metade da dívida pública da Grécia por parte dos credores privados, enquanto o país receberá 130 bilhões de euros adicionais.

Graças a esta ajuda, a partir de 2012, o pagamento de juros da dívida grega diminuirá em 5 bilhões de euros anuais, ressaltou Papandreou em seu discurso, que durou cerca de 45 minutos. Na reunião do grupo parlamentar do Pasok, a deputada e ex-dirigente europeia Vasso Papandreou acusou o primeiro-ministro de “estar fora de momento e espaço”.

“A imagem do Governo em Cannes (França) foi lamentável. Esperamos imediatamente que se forme um Governo de salvação nacional”

economia.ig.com.br

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