Ahmadinejad adverte EUA e Israel contra ataque ao Irã

7 nov

DA FRANCE PRESSE, EM TEERÃ

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que Estados Unidos e Israel desejam atacar o Irã para combater sua crescente influência, e advertiu contra qualquer agressão ao país, em uma entrevista ao jornal egípcio “Al-Akhbar”.

“O Irã aumentou suas capacidades e continua progredindo, e por esta razão é capaz de rivalizar com o mundo. Agora Israel e o Ocidente, em especial os Estados Unidos, temem as capacidades e o papel do Irã”, disse Ahmadinejad.

“Buscam apoio internacional para suprimir a influência (do Irã). Os arrogantes devem saber que o Irã não permitirá esta agressão”, completou.

A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) deve divulgar na terça-feira um relatório sobre o controverso programa nuclear iraniano, em um contexto de ameaça israelense de intervenção militar contra o Irã.

Segundo fontes diplomáticas ocidentais, a AIEA deve publicar um relatório com dados que respaldam as suspeitas sobre o caráter militar do programa nuclear iraniano, apesar dos desmentidos do governo de Teerã, que admite apenas objetivos civis.

A agência também deve criticar mais uma vez a falta de cooperação do Irã e o desrespeito de suas obrigações como país membro da AIEA, em particular com o prosseguimento do enriquecimento de urânio, o que poderia permitir ao país produzir armamento atômico. O enriquecimento prossegue, apesar de a ONU ter determinado seu fim.

Um importante religioso conservador iraniano, o aiatolá Ahmad Khatami, pediu ao diretor-geral da AIEA, o japonês Yukiya Amano, que não atue como um instrumento dos EUA. “Se Amano atuar como um instrumento sem vontade nas mãos dos EUA, publicando mentiras e apresentando-as como documentos, a AIEA perderá a escassa reputação que resta”, afirmou.

A Rússia advertiu Israel que um ataque contra o Irã seria um “erro muito grave” capaz de provocar mais conflitos e causar vítimas civis, “com consequências imprevisíveis”, após a ameaça do presidente israelense, Shimon Peres, de que a ofensiva é uma opção cada vez mais provável.

“Não pode existir nenhuma solução militar para o problema nuclear iraniano, como não pode existir para nenhum outro problema do mundo contemporâneo”, disse o chanceler russo Serguei Lavrov.

“Qualquer conflito deve ser resolvido exclusivamente por meios aprovados pela comunidade internacional, de acordo com a Carta das Nações Unidas”.

07/11/2011

Folha.com

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