O Espírito do tempo: você está preparado para o futuro das redes sociais?

3 fev

Veja o artigo de Vanessa Aguiar de Jesus, consultora de comunicação do Instituto Voluntários em Ação, que deu alguns palpites sobre para onde a humanidade tende a navegar com o uso da internet.

Parece óbvio dizer que o mundo está mudando. Tudo sempre se transforma, mas hoje a mudança parece mais rápida. Nos últimos anos, percebemos de perto as mudanças que a tecnologia está trazendo à sociedade. Estamos vendo e vivendo o futuro, na ponta dos dedos.

Não é possível prever os impactos que a tecnologia e a sociedade em rede trarão a longo prazo, mas arrisco aqui alguns palpites e visões sobre temas corriqueiros – e outros nem tanto – que aconteceram no ano passado e nos ajudam a entender para onde a humanidade tende a navegar.

Compartilhar, curtir, twittar: impossível ter passado por 2011 sem se deparar com esses novos verbos e com algumas febres virais que circularam pela rede. Conteúdos foram replicados como nunca e, se antes o boca a boca acontecia nas paredes das cavernas, nas folhas de papel, nas torres de transmissão, hoje acontece nas redes digitais, de maneira global e numa velocidade nunca antes vista. Nunca nos comunicamos tanto e de maneira tão intensa.O “curtir” se tornou um ato social desempenhado pelo mouse: um clique que já significa, além do sentimento, uma tendência de consumo. Perceba o quanto o botão curtir “pegou”. Primeiro, era restrito às publicações dentro do Facebook; agora, está por toda a internet e quase todos os sites que incluíram a função tiveram aumentos de audiência e, claro, de vendas. É nítido que os produtos da nossa era são e serão cada vez mais projetados para serem imensamente curtíveis. Curta ou não. A escolha é sua.

Falando em escolha, uma outra aposta para o futuro é a dos “românticos offline”, termo cunhado por Tom Rachman, do The International Herald Tribune, que caracteriza aquelas pessoas que passarão a rejeitar as mudanças do mundo conectado. Já há quem diga e perceba que o uso excessivo da rede diminui a capacidade de atenção, concentração e foco. Toda transformação social gera um efeito contrário e os dissidentes da cultura digital estão crescendo.

Acredito fortemente que a tecnologia também criará um novo tipo de economia, mais próxima da troca e distante do capitalismo e do consumo desmedido. Uma pista para essa aposta é a prática de trocar ou alugar em vez de comprar, que tem conquistado cada vez mais adeptos. Batizado de consumo colaborativo, esse movimento está prosperando e a internet é ambiente para que a troca de serviços e objetos aconteça. Cito dois exemplos: um webdesigner com dores nas costas poderá trocar seus serviços por algumas sessões de massagens relaxantes de um profissional de shiatsu. Além disso, nos EUA e Europa também já é possível alugar um carro por algumas horas e deixá-lo em pontos estratégicos da cidade. Isso é o consumo colaborativo sendo aplicado no dia a dia das pessoas.

Não posso deixar de citar a Primavera Árabe, os tumultos na Inglaterra, os protestos na Espanha, o movimento Occupy Wall Street – que se espalhou pelo mundo – e, em meio a tudo isso, celulares, fotos, vídeos, documentando tudo, minuto a minuto. Todas essas manifestações tiveram a internet como ponto central para denúncias, divulgação e mobilização. Quem foi o líder dessa revolução? Cada cidadão, seja do front ou do sofá de casa. É fácil perceber a lógica da internet refletida nesses movimentos populares, onde ninguém controla ninguém e os vínculos partidários e ideológicos se tornam cada vez mais coadjuvantes. O poder do indivíduo é o que faz a diferença, tanto que “o manifestante” foi eleito o personagem do ano pela revista Time.

O leitor atento, a essa altura do texto, conclui que as redes sociais e as tecnologias em si amplificam e potencializam comportamentos e ações já existentes. A internet e seus espaços nada mais são do que um espelho do que nós somos e desejamos. Portanto, a última – e talvez mais importante – aposta é que a postura, a ética, a reputação e a responsabilidade digital de cada um são essenciais para determinar o futuro da rede.

Em 2011, assistimos a verdadeiros “linchamentos virtuais” sobre os mais diversos fatos, do cachorro yorkshire morto após ser espancado por uma enfermeira, ao diagnóstico de câncer do ex-presidente Lula: tudo foi motivo para que os usuários das redes sociais demonstrassem muito mais do que opinião, mas enxurradas de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos e preconceituosos.

Em apenas um clique todos julgam, condenam e formam opiniões que influenciam boa parte do grupo social. Aí que mora o perigo. Precisamos estar atentos para que o avanço trazido pela interatividade democrática da internet não seja uma janela escancarada para que ignorância e opiniões pueris tomem conta. Não podemos deixar que as redes sociais remodelem o conceito “olho por olho, dente por dente”, numa espécie de Código de Hamurabi moderno. Somos todos responsáveis e isso significa que um de nossos papéis nesses novos espaços é agir com educação e bom senso.  Cada um pode ser um agente transformador da rede. Está na hora de decidirmos qual uso queremos fazer da web: a internet será o que fizermos dela. E que venha 2012!

* Vanessa Aguiar de Jesus é jornalista com especialização em ciências sociais, consultora de comunicação e marketing digital e coordenadora acadêmica da Clear Educação e Inovação.

O artigo foi originalmente publicado no Jornal Notícias do Dia, na edição de Fim de Semana – dias 14 e 15 de janeiro de 2012-

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